sexta-feira, 7 de agosto de 2009

Vini e o Californication

Não é segredo nenhum que eu adoro falar de música. Muita gente se arrepende amargamente por ter puxado esse assunto, porque imediatamente após começar, eu perco aquele feeling básico de perceber quando estou agradando. É que me empolgo e acabo não notando que fiquei falando sobre determinada banda nos últimos 45 minutos - numa demonstração de fôlego muito rara para um asmático, como eu - e que isso não agrada a todos. Certa vez, uma amiga foi buscar água e só voltei a encontrá-la no final de semana seguinte. Como não estávamos numa daquelas comunidades do Nordeste em que as pessoas tem que caminhar horas para conseguir matar sua sede, presumi que ela fugiu de mim.

Por mais que esse seja um assunto que me agrada, não tenho vocação nenhuma pra resenhar cd’s, dar notas e tal. Então daqui pra frente vou contar minha relação com aquele que é, provavelmente, o cd que mudou minha vida (demorei anos pra aceitar isso) e arruinou meu último final de semana.

O Califonication do Red Hot Chili Peppers foi o primeiro cd de rock que eu tive. Uma camiseta com a capa dele foi a primeira camiseta de banda que eu tive, e o primeiro show de uma banda gringa que eu vi foi do RHCP. Portanto, dói aceitar, mas “Yankee Hotel Foxtrot” do Wilco, “Be a Girl” do Wannadies, “Grand Prix” do Teenage Fanclub e o primeiro do Big Star podem ser bem melhores que ele, porém, se não fosse o Californication, talvez eu nunca tivesse chegado a nenhum desses. Por muito tempo reneguei esse cd e passei anos sem escutar porque, pra minha ideologia dos 17/18 anos, era imperdoável escutar uma banda que conheci através da Jovem Pan e que, pra piorar, tinha pelo menos 4 hits. Além disso foi meu primo, que definitivamente não é um referencial de bom gosto, que me apresentou o CD. Enfim, várias heresias. Eu tinha que guardar esse meu passado bem escondido, e falar pra todo mundo que comecei a ouvir música com o Blue Album do Weezer.

O tempo foi passando e numa madrugada de ócio cheguei a um cd solo do John Frusciante. Logo em seguida, a uma foto dele sem camisa segurando um violão. Isso definitivamente me fez ver Red Hot com outros olhos (beeem abertos, diga-se de passagem). Foi um processo lento, mas aos poucos fui me libertando. Voltei a ouvir a banda, e a aceitação foi uma coisa natural. Hoje já acho um cd bem bacana e sempre que tenho vontade ouço,e não mais escondido, mantenho o plug-in do last fm e do MSN ligados.

Pronto, a trajetória já foi contada, agora só falta contar o motivos do meu final de semana ter sido arruinado. Numa conversa com um amigo, nos demos conta de que o Californication completou uma década esse ano. Ou seja, um cd que ouvi durante minha adolescência inteira já fez 10 anos! Nem minha calvície me fez sentir tão velho assim!

4 comentários:

M. Obregon disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
M. Obregon disse...

tinha lido só o post em que agora comento,mas depois que li os outros (e ri muito) decido que vou ser sua seguidora. ;D

lili disse...

Vini vulgo Lael, adorei a descrição de sua trajetória um tanto contraditória e cheia de "heresias" como bem descrito por vc rsrss, não sou a referência pelo menos no mesmo segmento musical, mas ....seus neurotransmissores desencadearam uma ferrenha luta contra as descargas elétricas no últimos embalos musicais escolhidos por seu sistema nervoso central rsrs, por isso é muito benéfico ler que eles atearam a bandeira branca e voltaram a dar as mãos no que diz respeito a valorizar aquilo que como todo o resto ("podre" e "retrógrado") faz parte de nossa história e nos faz amadurecer para o caminho QUE SOMENTE ACHAMOS SER O IDEAL !!!! Um grande beijo ... Lili

Vinicius. disse...

Nem me fale nobre colega, o meu primeiro foi o Be here now do Oasis de 97, será hora de começar a pensar em botox? heheheheheh To esperando seu primeiro livro , e quero dedicatoria na orelha. Sendo seu é certo que o livro virá com brincos na orelha! rs